4ª Edição da Semana da Intervenção Social – ISSSP

Marquei presença na 4ª Edição da Semana de Intervenção Social do Instituto Superior de Serviço Social do Porto onde, inserido no painel sobre “Qualificação, Emprego e Empreendorismo”, falei sobre mim, sobre o meu trajeto e sobre o trabalho que desenvolvo no Projeto Trinsheira ao nível da gestão de projetos no 3º Setor, do desenvolvimento de talentos e da oferta formativa, com foco na liderança servidora.

Como o meu exemplo pessoal, tentei demonstrar que a ativação das comunidades é um aspeto fundamental na criação de futuras externalidades positivas que possam ter origem em qualquer projeto ou iniciativa. Olhando para a história do Projeto Trinsheira, trouxe uma série de exemplos dos últimos 15 anos, de dinâmicas de ativação dos parceiros sociais locais, capacitando-os com ferramentas de gestão de projetos de práticas artísticas que visam a coesão e a inclusão social, com foco em intervenções urbanas e na requalificação criativa de espaços de domínio público e de uso coletivo.

Atribuir ferramentas pedagógicas inovadoras às equipas que trabalham diretamente com as Redes Sociais Locais portuguesas, recorrendo à educação não formal, é fundamental no sentido de capacitar as instituições que nas comunidades desenvolvem iniciativas com públicos semelhantes para o trabalho complementar e interligado, tanto na criação e gestão de projetos, como na disseminação de metodologias participativas, colaborativas e sustentáveis. Procurei, também, sensibilizar todos os presentes para a elaboração de planos de oferta formativa profissionalizante integrados nos objetivos estratégicos das entidades que estão no terreno e que respondam às perguntas “O que quero aprender?” e “como colocarei o que quero aprender ao serviço da minha comunidade?”.

Ao longo do tempo que tive disponível, procurei mostrar em que consiste a metodologia de gestão de projetos que desenvolvi com o objectivo de fomentar culturas de co-working e a criação de espaços que utilizem uma metodologia de open space, facilitando a criação de equipas multidisciplinares na abordagem conceptual e na operacionalização de soluções coletivas e integradas, com foco no estar aberto e disponível para os outros, pilares da liderança servidora. Foi gratificante poder corresponder à oportunidade de disseminar projetos e metodologias participativas, colaborativas e sustentáveis junto da comunidade do Instituto Superior de Serviço Social do Porto, dando respostas às perguntas essencias “que problema quero ver resolvido?” e “como garanto a sustentabilidade da solução?”. No final, não pude deixar de sublinhar a necessidade de procurarmos e criarmos mecanismos de avaliação externa independente, ao longo de todo e qualquer processo que visa a transformação social, mecanismos que permitam criar e validar conhecimento científico que suporte a replicação de todas as iniciativas e projetos que saiam dos núcleos centrais de ação e planeamento, avaliando os seus resultados com a realização de estudos de caso e relatórios de impacto social, cultural e económico.

Foi com muito orgulho e um enorme sentido de responsabilidade que encarei o desafio de estar presente para este momento de partilha numa casa que conta com 60 anos a formar líderes servidores. Gostei muito da forma como fui recebido, da abertura e da curiosidade de uma plateia composta por pessoas que, a muito breve prazo, estarão no terreno do tecido social português a fazer a diferença. Saíram, inclusivamente, desta breve apresentação dois desafios concretos que, a seu tempo, divulgarei aqui. Só me resta agradecer a oportunidade que tive de poder conviver, debater e desafiar pessoas com uma vontade enorme de transformar e de servir. Deixo aqui a promessa que fiz presencialmente: em breve estarei de volta!