Requalificação CH Ponte de Anta – Pintura de Primário

A fase de pintura de primário do projeto de requalificação do campo de futebol do Conjunto Habitacional da Ponte de Anta foi o primeiro contato que os nossos jovens tiveram com a tinta. Toda esta fase de pintura foi direcionada no sentido de construir e melhorar capacidades pessoais, sociais e cognitivas num contexto de treino e transmissão de competências artísticas. O Team Building que realizamos com a comunidade focou na transmissão de instrumentos e capacidades que permitam desenvolver, construir ou reparar os laços de confiança e de proximidade entre os diferentes moradores. Para isso, através de ferramentas de corresponsabilização e de participação no processo de decisão, direcção e de realização artística, envolvemos toda a gente na superação do desafio proposto. O objetivo final é o de perpetuar este momento com a realização de uma obra de arte que reflete o resultado individual e o colectivo, criando uma memória de longa duração.

Como fundador e gestor do Projeto Trinsheira, preocupo-me em estimular toda a nossa equipa para a criação de espaços de aprendizagem leves e divertidos, mas ao mesmo tempo profundos. O nosso compromisso é o de desenhar programas de oferta formativa que nos permitam estar na vanguarda dos desafios inovadores a apresentar às comunidades e organizações que trabalham connosco, com conteúdos artísticos personalizados, dinâmicos e à frente das expectativas estabelecidas. Em todo o processo, temos a preocupação de criar modelos de experimentação artística que sigam um formato essencialmente prático, simples, eficaz e fácil de “digerir”. Acima de tudo, procuramos criar e disseminar metodologias de educação não formal que respondam às perguntas “O que quero aprender?” e “como colocarei o que quero aprender ao serviço da minha comunidade?”.

Em cada projeto, trabalhamos sempre dois tipos de problemáticas, a aparente e a não-aparente, no sentido de criarmos dois legados, o material e o imaterial. O resultado mais óbvio é o que está relacionado com a pintura propriamente dita, que “fica” nos lugares, conferindo-lhes mais vida, alterando a maneira como as pessoas se relacionam com o espaço em que estão inseridas, como se relacionam entre si e os comportamentos que praticam ou associam aos espaços intervencionados. O legado imaterial está ligado às novas amizades que se criam no momento das intervenções, à troca de experiências e de aprendizagens. No fundo, é um legado que está diretamente ligado às formas de pensar e agir em conjunto e sinto que as nossas comunidades precisam muito deste tipo de dinâmica, deste tipo de atitude de participação coletiva na abordagem de soluções que se querem comuns.

Talvez a grande tarefa deste projeto de requalificação seja mesmo a de nos tornarmos, de novo, crianças e adolescentes – virmos a ser, por um esforço de vontade, aquilo que eles são pela idade. Porque eles sabem dizer os seus defeitos e as suas qualidades com uma clareza notável. Porque ainda não aprenderam muito bem a ocultar, nem a torcer ou a disfarçar. Porque há ali, agora e sempre, vidas abertas a aprender, a ser mais, a ser melhor. É isso que procuro hoje em dia, do fundo do meu coração, desde o momento em que me levanto até ao momento em que me deito, todos os dias. Preocupa-me o ser digno do talento, da esperança e da confiança que depositam em mim, apenas isso. Acho que é nisto que estou diferente. Ao pensar assim em mim, como tenho andado a pensar, já não vivo para mim. Quem quero ser como líder do Projeto Trinsheira? Muito simples. Alguém “humanamente relevante” na existência desses tantos e tantas cujas caras e nomes ainda desconhecemos… mas que sabemos que nos surgirão no caminho!

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