Requalificação CH Ponte de Anta – Limpeza e Preparação

No Projeto Trinsheira acreditamos nas pequenas mudanças e no potencial de cada um para transformar o meio em que estamos inseridos. Daí que a fase de limpeza e preparação operacional de cada galeria de arte pública seja extremamente importante já que é, muito simbolicamente, o primeiro momento de transformação do espaço que estamos a intervencionar. 27 anos de utilização sem qualquer iniciativa de requalificação ou manutenção deixaram as suas marcas bem visíveis no campo de futebol do Conjunto Habitacional da Ponte de Anta. Durante uma semana completa, foram retirados mais de 500 kg de lixo, resíduos e afins. O espírito, esse, esteve sempre em alta!

A metodologia que desenvolvi com base na liderança servidora procura criar mudanças no quotidiano de domínio público, o que nunca é fácil. Desenvolver conhecimento e método de intervenção que seja replicável é sempre a meta que está como pano de fundo na gestão que faço destes projetos. Toda a equipa sabe que temos que respeitar a velocidade e a profundidade de todos como um grupo e de cada um, se queremos trabalhar a criação de vínculos afetivos entre as pessoas para que, com base na participação coletiva, possamos construir relações de identidade e de vizinhança. Esta mudança implica mexer em comportamentos profundamente enraizados na memória coletiva. A cada transformação a que assisto, mais profundamente compreendo que as nossas cidades precisam muito desta atenção já que estão, em grande parte, a ser abandonadas pelas políticas públicas de intervenção e requalificação urbana mas, também e acima de tudo, por nós cidadãos. As nossas ruas, avenidas, bairros e vizinhanças precisam ser vivas, agradáveis, pensadas para pessoas e os seus espaços públicos devem ser suficientemente atraentes para tirarem as pessoas de casa. Para que, ao sairmos de casa, possamos utilizar os lugares, as paisagens e os equipamentos que a cidade oferece. Devemos, sim e cada vez mais, cuidar dos espaços públicos porque são a extensão de nossa casa.

De todo este projeto têm-me surgido novas convicções e o reforço de algumas já antigas, mas cada vez mais firmes. A primeira e mais visível é a de que este é mesmo um processo de “dentro para fora”. Não vão ser criadas “receitas”. Serão criados modelos de desenvolvimento sustentado e é nisto que temos que trabalhar seriamente: trazermos a esta iniciativa aquilo que fazemos, aquilo que somos, por forma a alinharmos o nosso pensamento com as nossas ações. Como “facilitadores da experiência”, eu a minha equipa seremos sempre muito mais do que “aplicadores do método”. Vamos, também, crescer muito com todos os jovens com quem nos cruzamos neste processo. É preciso ter uma consciência muito clara disto mesmo – este é um processo. As pessoas trazem “coisas” na sua bagagem, outras “coisas” acontecerão tão somente pelo contato direto e pela partilha de um caminho tão profundo. Depois, a importância de ser um processo despoletado no contexto de uma relação e essa será a sua essência – ajudarmos os nossos jovens formandos a serem mais livres, mais capazes… e mais autónomos!

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