Projeto “O Nosso Mapa” – Experimentação Artística

A etapa de experimentação artística por níveis do projeto “O Nosso Mapa” com a comunidade do Bairro da Ponte de Anta teve como principal objetivo e referência criar um espaco de aprendizagem leve e divertido, mas ao mesmo tempo profundo. Do diagnóstico inicial e da fase de ativação dos moradores da comunidade, nasceu um programa de formação personalizado às necessidades/características individuais e do grupo de trabalho, como um todo. Este tipo de abordagem ao trabalho artístico é muito importante, porque nos permite focar no participante e não no resultado, para que cada um possa ganhar independentemente desse mesmo resultado, atribuindo um peso ao seu comportamento, um sentido de progressão, a percepção da contribuição individual para o resultado coletivo e um sentimento de reconhecimento do potencial realizado através de um feedback instantâneo e constante. Este tipo de abordagem é, também, extremamente importante porque retira a pressão natural da responsabilidade da transformação da comunidade pelos moradores e porque permitiu construir uma obra que pode ser encarada como símbolo e testemunho da coesão, espírito de equipa e imaginação de todos os moradores, oferecendo uma perspectiva visual inovadora como prova da superação do desafio proposto – queremos reforçar a mensagem, a visão e a missão de cuidar dos espaços de domínio público na comunidade do Bairro da Ponte de Anta.

Ao transformarmos espaços de domínio público através da corresponsabilização no processo de decisão, realização e de direção artística estamos, na verdade, a construir relações de identidade com base na participação coletiva. Escrevo-o porque acredito verdadeiramente no valor das pequenas mudanças e no potencial que cada um tem para transformar o meio em que está inserido e porque, desde o início de todo este processo, que trabalhamos dois tipos de problemáticas: a aparente e a não-aparente, no sentido de criarmos dois legados, o material e o imaterial. E foi precisamente no legado imaterial que encontramos todas as respostas para a memória descritiva da obra de arte que nascerá junto à sinalética que vai mapear toda a comunidade do Bairro da Ponte de Anta. Procurei, em toda a gestão de projeto, criar também condições para a autonomização informal de projetos dos participantes directos, visando a sua gradual emancipação para a produção independente de conteúdos artísticos com o objectivo da coesão e inclusão social. De que outra forma poderíamos melhor potenciar as externalidades positivas e o ciclo virtuoso de multiplicação da intervenção do projeto “O Nosso Mapa”?

Ao centrar a metodologia participativa que desenvolvi com base na liderança servidora e no legado de Nelson Mandela, centrei as ferramentas e dinâmicas de educação não-formal que criei na filosofia Ubuntu. A palavra Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade, definindo um indivíduo em termos do seu relacionamento com os outros, podendo ser livremente traduzida na expressão “Eu sou porque tu és”, estando intrinsecamente relacionada com valores como o respeito, a partilha, a generosidade, a união, a abertura e a disponibilidade. Ubuntu não significa que as pessoas não devam cuidar de si próprias, já que é o alicerce fundamental do conceito de liderança servidora. E, para nos colocarmos como líderes servidores, a questão fundamental que devemos fazer é: como posso colocar o meu desenvolvimento pessoal ao serviço do desenvolvimento da minha comunidade?

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