Projeto “O Nosso Mapa” – Ativação da Comunidade

A fase de ativação da comunidade do Bairro da Ponte de Anta para o projeto “O Nosso Mapa” teve como principal objetivo alinhar as ações das equipas de trabalho compostas pelos moradores, nomeadamente as formas de pensar e de agir no trabalho em conjunto. É aqui que o conceito e a atitude de liderança servidora desempenham um papel fundamental, porque é aqui que se começam a despertar o interesse e o prazer de “fazer com as próprias mãos”. Com isso em mente, o primeiro desafio e talvez o mais decisivo, foi o de criar uma dinâmica de conjunto que permitisse aproximar a missão pessoal de cada um à missão do projeto, com foco nas alianças, no estar aberto e disponível para os outros.

Ao longo dos últimos 6 anos, com a incubação do Projeto Trinsheira e com a minha passagem pela Área Transversal de Economia Social da Universidade Católica do Porto, tive oportunidade de construir e desenvolver uma abordagem e um método de design thinking que responde às perguntas essenciais: “que problema quero ver resolvido?” e “Como garanto a sustentabilidade da solução?”. Com o JODE, diretor artístico do “O Nosso Mapa” e co-fundador do Projeto Trinsheira, desenvolvi um processo de criação artística que segue metodologias de fortalecimento individual e colectivo, estruturadas para trabalhar a tomada de decisões, a resiliência e a participação coletiva.

Nesta fase de ativação da comunidade, foram introduzidas ferramentas que permitiram melhor decifrar a arte urbana, a gestão do projeto e a direção artística. A metodologia participativa que desenvolvi e que é centrada na liderança servidora e no legado de Nelson Mandela, envolve todo o grupo na mudança que é preciso atingir, no problema que queremos ver resolvido e na direção artística da obra de arte, desde esta fase inicial.

O características do ensino formal português e as características do tecido social que compõe as comunidades onde sempre me senti mais motivado para trabalhar, fazem com que a primeira reação a este tipo de intervenção seja, normalmente, a surpresa – em Portugal as pessoas não estão habituadas a que lhes “passem a bola”, pura e simplesmente. O Bairro da Ponte de Anta não foi excepção. Apesar na natural resistência inicial, sinto que todo este processo foi algo que aceitaram como natural e onde puderam descobrir espaço para o desenvolvimento pessoal, da sua comunidade e das suas relações de vizinhança. Sinto que fomos bem recebidos e que as ferramentas de gestão de projeto que trouxemos para esta comunidade com “O Nosso Mapa” provocaram curiosidade mas, mais do que isso, conseguiram abrir uma página em branco na memória coletiva.

Costumo dizer que não sou, nem ninguém se deveria sentir, responsável pela transformação do que quer que seja. Sou apenas responsável por tentar criar um espaço e um desafio concreto onde isso seja possível e credível. Senti desde o início, bem como o JODE, nas longas conversas que tivemos sobre isso, que há muito potencial não realizado na comunidade do Bairro da Ponte de Anta. Gente simples, que valoriza as coisas simples da vida. Gente que nos trás de volta aquilo que somos e que mostram uma capacidade e um espirito de grupo que já me surpreendeu inúmeras vezes. Mas é essa a história de Portugal, não é? A história de pessoas comuns… a fazerem coisas extraordinárias.

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